Enem: saiba como funciona o exame e como usar a nota obtida na prova

enem-saiba-como-funciona-o-exame-e-como-usar-a-nota-obtida-na-prova.jpeg

Se na escola o professor corrige a prova, soma as questões corretas e lança a nota no diário, no Enem — Exame Nacional do Ensino Médio — as coisas são bem diferentes. Isso porque a correção do exame não é feita da maneira tradicional.

Mas por que isso acontece? Bem, milhares de estudantes brasileiros se inscrevem para o exame e organizar as notas de todas essas pessoas é muito difícil. Diante disso, o Inep — Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira — resolveu utilizar uma teoria que dá pesos diferentes às questões.

Assim, os organizadores da prova estruturaram a correção do exame e, consequentemente, passaram a entregar um resultado mais preciso, diminuindo o número de empates entre os concorrentes.

Ficou confuso? Pode relaxar! Neste post, vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre o exame, incluindo como a nota dele pode ser utilizada. Fique de olho e acompanhe com atenção!

Como funciona a régua de correção?

A nota do Enem é como uma régua! Ela é feita para medir o grau do conhecimento dos estudantes que fazem o exame. Antes de cada questão ser colocada nessa reguinha, o Ministério de Educação (MEC) faz um pré-teste em escolas do Brasil inteiro. Assim, milhares de questões são testadas e 180 são escolhidas para fazer parte da prova.

Como se atribui a posição da questão na régua?

Como já falamos, cada questão participa de um pré-teste que é feito por milhares de jovens que estão terminando o Ensino Médio. Esses resultados influenciam diretamente nos três aspectos que garantem uma prova de qualidade. Veja!

Critério de discriminação

O primeiro item trata da habilidade da questão de diferenciar os estudantes a partir do nível de dificuldade da pergunta. Se a questão não cumpre esse critério, ela precisa ser refeita pelos organizadores.

Critério de dificuldade

Esse item é responsável por determinar a posição da questão na régua. Para isso, é fundamental que o exame tenha perguntas com diferentes níveis de dificuldade — fáceis, médias e difíceis. Assim, a questão vai conseguir identificar quem está bem preparado e quem ainda precisa estudar um pouco mais.

Critério de casualidade

O último critério mede as chances de a questão ser acertada pelo chute. Esse indicador parte do princípio de que quanto mais o estudante conhece o conteúdo maior é a chance dele acertar sem precisar chutar.

Por outro lado, se o conhecimento do aluno é pequeno e a pergunta tem alto nível de dificuldade, o critério indica que as chances de o acerto ter acontecido por conta de um chute são maiores.

Como é feito o cálculo das notas de cada área do conhecimento?

Para elaborar o exame, os organizadores escolhem um conjunto de 45 questões de cada área do conhecimento. Essas perguntas devem se basear nos conteúdos previstos na matriz de referência da prova e medir o domínio das habilidades e competências dos alunos.

O cálculo final da nota é realizado por um método chamado “Teoria da Resposta ao Item”, ou TRI. É por causa dele que os candidatos não conseguem saber sua pontuação final apenas corrigindo o gabarito fornecido pelo Inep.

Isso acontece porque, no cálculo do TRI, três fatores influenciam a nota do concorrente:

  • o número de acertos;

  • o nível de dificuldade das perguntas;

  • a análise de consistência do participante.

O número de acertos nós sabemos o que significa. Mas o que significam os outros dois pontos? Vamos explicar!

Como foi dito, o exame tem um banco com milhões de questões que já foram testadas. Após os testes, cada uma dessas perguntas é classificada em um nível de dificuldade. Assim, as questões com menor número de acertos no teste são entendidas como mais difíceis e ganham um peso maior na prova, ou seja, valem mais pontos.

Como cada pergunta tem um peso, o Enem consegue verificar o nível de conhecimento de cada candidato analisando os tipos de acertos do estudante!

Confuso? Na verdade é bem simples: se o aluno acerta as questões mais difíceis na prova, o esperado é que ele também consiga acertar as mais fáceis. Quando isso não acontece, o sistema entende que ele só acertou as perguntas difíceis porque chutou a resposta e, diante disso, dá um peso menor às questões do seu exame.

Além disso, o Enem também considera a consistência das respostas. Isso significa que dois alunos com 12 questões certas em linguagens, por exemplo, podem ter notas bem diferentes, dependendo do nível de dificuldade das perguntas acertadas.

Dessa forma, se um deles acertou 12 questões fáceis e o outro 12 difíceis, a nota do que acertou as mais fáceis será menor que a do segundo. Agora ficou fácil entender, não é mesmo?

Como é feito o cálculo da nota de redação?

Entender como funciona a correção de redação do Enem pode ser decisivo para fazer uma ótima produção de texto dissertativa-argumentativa. Por isso, decidimos mostrar os 5 critérios nos quais se baseiam a nota da redação no exame. Acompanhe!

Competência 1

A primeira competência é responsável por verificar se o texto produzido tem marcas de oralidade —  a reprodução do falar do dia a dia na escrita — e se obedece às regras de:

  • concordância;
  • regência nominal e verbal;
  • ortografia;
  • colocação pronominal;
  • flexão de nomes e verbos;
  • pontuação;
  • divisão silábica.

Competência 2

A segunda competência avalia a adequação: ao tema apresentado pela banca do exame e ao gênero textual dissertativo-argumentativo — esse gênero textual se baseia na defesa de uma ideia/opinião por meio da argumentação. Além disso, ela é responsável por analisar se o candidato fugiu parcial ou totalmente do tema.

Competência 3

A terceira competência está conectada ao entendimento do tema proposto e de como as informações, argumentos e fatos que mostram a opinião do estudante são selecionados, organizados e relacionados.

Nesse critério será examinado se:

  • há relação de sentido entre as partes do texto;
  • as ideias são apresentadas em uma ordem lógica;
  • as palavras escolhidas estão sendo usadas da forma correta;
  • o conteúdo do texto está adequado à realidade.

Competência 4

A quarta competência avalia a forma como os parágrafos e as orações se relacionam. Para conseguir uma boa nota nessa área, o estudante deve fazer o uso de sinônimos, pronomes e evitar a repetição das mesmas palavras.

Além disso, a dissertação deve ter coesão, ou seja, conter conectivos, adjetivos e adjuntos adverbiais para juntar as orações e os parágrafos.

Competência 5

A quinta competência envolve a elaboração de uma proposta de solução para o problema abordado na redação. Isso significa que a dissertação deve oferecer uma ideia de como resolver o problema que foi apresentado pelo tema.

É importantíssimo destacar que a solução deve ter relação com o que foi desenvolvido na introdução, ser coerente com os argumentos apresentados e, além disso, ser objetiva (isso é: sem encher linguiça). Até mesmo porque o candidato vai ter apenas um parágrafo para escrevê-la.

É importante destacar que o concorrente vai zerar a redação se:

  • não seguir a estrutura dissertativo-argumentativa;
  • escrever um texto com até 7 linhas;
  • fugir totalmente do tema;
  • deixar a folha em branco;
  • fizer desenhos inadequados.

Para que serve a nota do Enem?

Muita gente acredita que o Enem só serve para entrar em uma universidade pública. Isso não é verdade, já que com a nota do exame é possível participar de vários programas e seleções. Confira!

Sisu: ingresso em uma universidade pública

A nota do Enem pode ser usada para concorrer a vagas em universidades públicas por meio do Sisu — Sistema de Seleção Unificada. Essa seleção abre suas inscrições duas vezes ao ano, permitindo que os alunos tenham duas chances de conquistar uma vaga nas universidades gratuitas do país.

Prouni: bolsa de estudo para instituição de ensino privada

Além da possibilidade de entrar em uma universidade pública com o Sisu, a realização do exame também permite que os estudantes concorram a bolsas de estudo parciais (50%) ou integrais (100%) em graduações nas instituições de ensino privadas.

Contudo, é interessante lembrar que para conseguir a bolsa com o ProUni — Programa Universidade para Todos — o estudante deve ter:

  • tirado boa nota no exame;
  • renda familiar de até 1,5 salário mínimo por pessoa;
  • feito o Ensino Médio em escolas da rede pública de ensino ou ter sido bolsista em escolas privadas.

Fies: financiamento estudantil

Se o aluno não preenche os pré-requisitos para disputar uma bolsa pelo ProUni, recorrer a um financiamento estudantil pode ser uma boa ideia. Com o Fies — Financiamento Estudantil — o aluno paga parcelas que cabem no bolso (mas que são referentes aos juros) todos os meses e o restante somente quando termina a graduação.

SisuTec: entrada em um curso técnico

Para quem precisa de uma capacitação técnica, o Enem permite a entrada nesse tipo de curso por meio do SisuTec — Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica. Essa seleção funciona como o Sisu, mas é voltada para vagas no Ensino Técnico em diversas áreas.

Graduação em uma faculdade particular

Atualmente, quase todas as instituições de ensino privadas utilizam a nota do Enem como critério de seleção. Isso significa que até para se matricular em uma faculdade particular é necessário ter feito o Enem.

Ensino Superior em universidade de Portugal

Diversas instituições de Ensino Superior de Portugal aceitam a nota do Enem como forma de ingresso. Portanto, os candidatos que têm interesse em estudar fora do país devem ficar ligados às datas para se inscrever nos processos seletivos do exterior.

Agora que você já entendeu como funciona o Enem e para o que serve a nota do exame, é só escolher a opção que mais combina com o seu perfil. Animado? Então, faça a inscrição no exame e conte com a Jumper Cursos para aumentar as chances de aprovação!

Curtiu conhecer um pouco mais sobre o Enem? Então acesse mais um de nossos posts e saiba como escolher uma profissão que te faça feliz! Até mais!